Atualizar usuários
Amor é amor, independente da identidade de gênero e orientação sexual! RESPEITO!
comentou Estreia do Yedyy
Bem-Vindo(a) Visitante!
Esqueci minha senha
... usuários navegando / ... usuários logados
Portal de Notícias - Acompanhe as notícias do Habbo e do Mundo

Os Estagiários Kihabbo

Quer fazer parte da moderação? Ingresse no programa de treinamento!

Robiiiinho
há 3 dias

Corrida ao Cubo

O terror dos azarados!

HannahMello
há 4 dias

Atualizações no nosso site

Confira todas as atualizações que o site sofreu em suas ferramentas e f...

LordCastro
há 2 semanas
Primeiros testadores brasileiros são revelados

O Habbo 2020 segue com uma série de mistérios e informações limitadas.

4
Novos visuais são hospedados

Venha conferir a futura moda estilística do Habbo Hotel.

7
Compre créditos e ganhe uma recompensa

Nova oferta do Habbo oferece pack e emblema como bônus.

10
Novas artes no Habbo Hotel

Os maiores ícones artísticos estão no Habbo Hotel!

12
Quarta, 27 de Maio de 2020 - 00:01
Cotação de Mobis
Ver todos
NOVO NA KIHABBO?
Clique aqui e saiba mais sobre esse mundo diferente dentro do Habbo Hotel BR/PT
Notícia criada por -TheCrown
há 3 semanas
214 Visualizações
Colunas - Cadernos de Literatura #1 - Idéias de Canário
Notícias Relacionadas
Saiba mais sobre sua nova coluna se...

No conto “Idéias de Canário” de Machada de Assis, um homem por acaso entra numa loja de quinquilharias e lá encontra um pássaro. Vendo aquele canário indefeso, o homem então questiona ao dono da loja de onde ele viera e quem teria sido o seu último dono. O canário ouvindo aquela afirmação, imediatamente redarguiu: “Quem quer que sejas tu, certamente não estás em teu juízo. Não tive dono, nem fui dado a nenhum menino que me vendesse. São imaginações de pessoa doente; vai-te curar, amigo…”. 

Surpreso com a reação do canário, o homem protesta, certo de que o canário teria chegado ali pelas mãos alguém e o proprietário da loja seria o seu atual dono. Com um ar de desgosto, o canário então responde: “Que dono? Esse homem que aí está é meu criado, dá-me água e comida todos os dias, com tal regularidade que eu, se devesse pagar-lhe os serviços, não seria com pouco; mas os canários não pagam criados. Em verdade, se o mundo é propriedade dos canários, seria extravagante que eles pagassem o que está no mundo”. 

Pasmado das respostas, o homem não sabia que mais admirar, se a linguagem ou se as idéias daquele pássaro queixoso. Como se quisesse confundir o canário, o homem então perguntou se ele tinha “saudades do espaço azul e infinito”. Sem demonstrar qualquer desconforto, o pássaro retrucou: “caro homem, que quer dizer espaço azul e infinito?”. Imediatamente, o homem virou para o canário e refinou sua pergunta: “afinal de contas, que pensas deste mundo? Que cousa é o mundo?”. O mundo, replicou o canário, “o mundo é uma loja de quinquilharias, com uma pequena gaiola de taquara, quadrilonga, pendente de um prego; o canário é senhor da gaiola que habita e da loja que o cerca. Fora daí, tudo é ilusão e mentira”.

Impressionado com a definição dada pelo pássaro, o homem decide comprá-lo para estudar mais sobre suas peculiaridades. Já em posse do canário, mandou que ele fosse colocado numa gaiola maior e ordenou que esta fosse posicionada na varanda, próximo ao jardim. Pouco tempo depois, tornou a perguntar ao pássaro o que era o mundo, que assim o respondeu: “o mundo é um jardim assaz largo com repuxo no meio, flores e arbustos, alguma grama, ar claro e um pouco de azul por cima; o canário, dono do mundo, habita uma gaiola vasta, branca e circular, donde mira o resto. Tudo o mais é ilusão e mentira”. 

Por uma infelicidade do destino, o homem adoeceu e por falta de cautela do seu empregado, o pássaro acabou fugindo.Triste com a perda do canário, o homem sabia que jamais iria vê-lo. Todavia, certa feita, andando ao largo de uma chacára, ouviu trilar do alto de uma árvore: “Viva, Sr. Macedo, por onde tem andado que desapareceu?”. Era ele, o canário da loja de quinquilharias. Feliz e ao mesmo tempo espantado com aquela aparição, o homem o convidou para uma conversa e mais uma vez lhe perguntou o que era o mundo, o pássaro então o respondeu: “O mundo é um espaço infinito e azul, com o sol por cima”. Indignado, o homem lhe inquiriu: “Sim, o mundo era tudo isso, inclusive a gaiola e a loja de quinquilharias”. O canário, surpreso, imediatamente retrucou: “Que loja? Que gaiola? Estás louco!?”.

A opção por iniciar o texto com um breve relato deste conto, revela não só as nossas intenções com a estreia desta coluna, como também desafia um problema maior: qual a função da literatura? Se é verdade, como em Borges, que cada desfecho é o ponto de partida para outras bifurcações, no nosso caso o “jardín de senderos que se bifurcan” é ainda mais real do que se poderia imaginar. Toda vez que lemos um livro, um pedaço da gaiola a que estamos presos deixa de existir. A leitura é a porta de entrada do infinito, até que um dia, tudo o que éramos antes, deixa de ser. Vejam a trajetória do canário, de uma loja apertada que pensava ser o mundo, mudou-se para um jardim, ampliando sua visão acerca da realidade. Mas, somente quando fugiu, pôde então perceber que o mundo era maior que loja e maior que o jardim, e que também nele não haviam gaiolas. Em pouco tempo, o pássaro consumido pela liberdade, sequer lembrava da loja ou da casa a que estava preso, e assim mesmo pôde desfrutar do universo vasto e infinito que agora estava a sua frente. E isso era o mundo; “mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução”. 

Para quem aspira liberdade, não é necessário uma solução, basta uma boa leitura e a partir daí tudo se revela e também se desvela, porque diante dos olhos está apenas o que podemos ver, enquanto que nas páginas dos livros, o algo a mais que dá sentido à nossa existência. Da ficção à realidade, a realidade das ficções, o fato é que a literatura é um canal privilegiado e, talvez, o mais próximo que nós temos, para forjar um novo ponto de partida sobre o que nós somos e onde estamos. Deste ponto de partida, outros virão. De vez em quanto as veredas deste labirinto convergem, “num dos passados possíveis o senhor é meu inimigo, noutro é meu amigo”. Seja como for, no mundo literário tudo é possível, e neste sentido Jacques Derrida estava certo, a literatura pode “dizer tudo” (tout dire), mas não só, dela também se “origina tudo”. 

A partir da semana que vem, todos os domingos teremos um momento especial para discutirmos e descobrirmos obras e autores, brindando todas as possibilidades que a leitura nos oferece. Por hoje, creio que já tenha sido suficiente essa pequena-grande introdução, de modo que sem me alongar (mais do que já me alonguei, é verdade), permitam-me um fim breve e objetivo: sejam bem-vindos a sua nova coluna semanal “Cadernos de Literatura”, um lugar sem gaiolas para aqueles que querem se aventurar pelo mundo, porque o mundo "nobres senhores e belas damas", é um grande deserto pedregoso, cheio de espinhos e enigmas, que nem mesmo Édipo seria capaz de decifrar. Mas isso é assunto para outro momento. Por enquanto, vamos ficar por aqui.

EMBLEMA

Nossa coluna também conta com um emblema que você poderá ganhar participando nos comentários. É bem simples, basta responder uma pergunta que será deixada sempre após a matéria. As perguntas serão sobre algum aspecto abordado no texto. A de hoje é bem fácil: “O que é o mundo?”. Até semana que vem.

 
Cardernos de Literatura #1
Idéias de Canário
O que acho desta coluna? Deixe nos comentários sua opinião.
Publicidade
Comentários
Achei super interessante essa notícia, parabéns
gi.724 - há um dia
Eu acho que é dificil definir o que é o mundo, principalmente se for ser relacionado a nós humanos que vivemos aqui tão pouco tempo, pode significar liberdade, casa de todos como pode significar completamente ao contrário, infelizmente o mundo é algo com uma definição tão complicada, você consegue criar mil palavras para defini-lo e provavelmente se você usar o antonimo de todas elas tambem fará sentido.
Carly...Jr. - há 7 dias
Para mim o mundo é um lugar onde tivemos um privilegio por uma força maior que cremos codificado com o nome ''Deus" onde foi criado para o ser humano viver, apreciar suas belezas naturais, viver em eterna comunhão e aprendizado para uma pós vida a morte, uma forma de crescimento espiritual. Adorei a noticia perfeito como sempre!
BrunobSouza - há uma semana
A PARTIR DESTE COMENTÁRIO O EMBLEMA JÁ NÃO ESTARÁ MAIS DISPONÍVEL.
-TheCrown - há uma semana
O mundo é tudo oque nos rodeia, temos de o tratar bem melhorpara viver nesta beleza.
joao71675 - há uma semana
O mundo é cada ser vivo que habita nele, desde o ser humano até uma simples bactéria. São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, tantas coisas desconhecidas por nós, é até difícil explicar com palavras o que é algo tão grandioso e fascinante como o mundo. Eu acho realmente uma pena o ser humano não valorizar nossa casa como deveria.
bianca36493 - há 2 semanas
O mundo é tudo aquilo que nos cerca, é a liberdade de pensamento que ferve a cabeça ao descobrir o novo, ao descobrir novas possibilidades!
Woollin - há 2 semanas
O mundo é a maior loucura do 'mundo', acho que existe diversas maneiras de se viver nesse mundo! Amei a coluna, parabéns!
Bala.chiclete - há 3 semanas
Depende do ponto de vista de cada um. Pra mim o mundo é um lugar onde aprendemos coisas e lugares para se ir. E cada um aqui vai tentar sobreviver de alguma maneira seja qual for ela.
K4RD - há 3 semanas
Pra mim essa pergunta “O que é o mundo?” é muito intrigante e desafiadora, pois na minha humilde opinião a resposta pra essa pergunta depende do ponto de vista de cada um que habita esse mundo. A resposta de um com certeza será diferente da do outro. Uma pergunta mais correta (pelo menos pra mim) para essa questão seria “O que é o mundo pra você?”. O mundo pra mim é tudo que a gente vive, o sentimento entre um ser e o outro, o convívio, o bem-estar, eita, são muitas coisas que por aqui eu não conseguiria explicar totalmente.
Gardener. - há 3 semanas
Comentar